Entulho

Distinguindo o trágico do supérfluo

Archive for janeiro \17\UTC 2013

Metade dos alimentos produzidos no mundo vai para o lixo

Posted by iscariotes em 17 de janeiro de 2013

Fonte: Horizonte

Um estudo publicado por engenheiros do Reino Unido ligados à Institution of Mechanical Engineers revela que 50% dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados anualmente. De acordo com o relatório, intitulado Global Food (Comida Global), isso corresponde a dois bilhões de toneladas de alimentos jogados fora por ano.

A Organização das Nações Unidas estima que até 2075 a população do planeta chegue a cerca de 9,5 bilhões de pessoas, ou seja, aproximadamente 2,5 bilhões de bocas para alimentar a mais do que atualmente. Em 35 páginas, o Global Food apresenta dados e propõe soluções para que o desperdício seja evitado, analisando as nações pelos diferentes níveis de desenvolvimento. A colheita ineficiente, o transporte inadequado e a falta de cuidado com os alimentos ao armazená-los são os principais problemas de locais como a África Subsaariana e o Sul da Ásia.

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Mesmo em países desenvolvidos, com técnicas agrícolas e transportes eficientesm, o desperdício ainda ocorre, principalmente pelas mãos dos vendedores e do consumidor. No Reino Unido até 30% da safra de vegetais não chega a ser colhida pela exigência de boa aparência dos alimentos pelos supermercados. Globalmente falando, isto representa 1,6 milhão de toneladas de frutas e legumes comestíveis que vão para o lixo. A cultura de incentivar o cliente a consumir além do necessário também é uma das culpadas pelo desperdício. Nos países desenvolvidos, entre 30 e 50% do que é comprado acaba indo para o lixo da cozinha.

No mundo todo, cerca de 3,8 milhões de metros cúbicos de água são gastos por ano. Só o setor agrícola utiliza 70% desta quantia, e de acordo com as previsões de crescimento demográfico, esta demanda deve aumentar significativamente nos próximos anos. Uma das soluções são os sistemas sustentáveis de irrigação por gotejamento, que, apesar de mais caros para serem instalados, podem melhorar em 33% a eficiência no uso da água.

Em http://horizontegeografico.com.br/exibirMateria/1651/metade-dos-alimentos-produzidos-no-mundo-vai-para-o-lixo-diz-estudo

 

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O Bolsa Família e a revolução feminista no sertão

Posted by iscariotes em 5 de janeiro de 2013

Fonte: Marie Claire

Por Mariana Sanches

Uma revolução está em curso. Silencioso e lento – 52 anos depois da criação da pílula anticoncepcional – o feminismo começa a tomar forma nos rincões mais pobres e, possivelmente, mais machistas do Brasil. O interior do Piauí, o litoral de Alagoas, o Vale do Jequitinhonha, em Minas, o interior do Maranhão e a periferia de São Luís são o cenário desse movimento. Quem o descreve é a antropóloga Walquiria Domingues Leão Rêgo, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nos últimos cinco anos, Walquiria acompanhou, ano a ano, as mudanças na vida de mais de cem mulheres, todas beneficiárias do Bolsa Família. Foi às áreas mais isoladas, contando apenas com os próprios recursos, para fazer um exercício raro: ouvir da boca dessas mulheres como a vida delas havia (ou não) mudado depois da criação do programa. Adiantamos parte das conclusões de Walquiria. A pesquisa completa será contada em um livro, a ser lançado ainda este ano.

MULHERES SEM DIREITOS

As áreas visitadas por Walquiria são aquelas onde, às vezes, as famílias não conseguem obter renda alguma ao longo de um mês inteiro. Acabam por viver de trocas. O mercado de trabalho é exíguo para os homens. O que esperar, então, de vagas para mulheres. Há pouco acesso à educação e saúde. Filhos costumam ser muitos. A estrutura é patriarcal e religiosa. A mulher está sempre sob o jugo do pai, do marido ou do padre/pastor. “Muitas dessas mulheres passaram pela experiência humilhante de ser obrigada a, literalmente, ‘caçar a comida’”, afirma Walquiria. “É gente que vive aos beliscões, sem direito a ter direitos”. Walquiria queria saber se, para essas pessoas, o Bolsa Família havia se transformado numa bengala assistencialista ou resgatara algum senso de cidadania.

BATOM E DANONE

“Há mais liberdade no dinheiro”, resume Edineide, uma das entrevistadas de Walquiria, residente em Pasmadinho, no Vale do Jequitinhonha. As mulheres são mais de 90% das titulares do Bolsa Família: são elas que, mês a mês, sacam o dinheiro na boca do caixa. Edineide traduz o significado dessa opção do governo por dar o cartão do benefício para a mulher: “Quando o marido vai comprar, ele compra o que ele quer. E se eu for, eu compro o que eu quero.” Elas passaram a comprar Danone para as crianças. E, a ter direito à vaidade. Walquiria testemunhou mulheres comprarem batons para si mesmas pela primeira vez na vida. Finalmente, tiveram o poder de escolha. E isso muda muitas coisas.

O DINHEIRO LEVA AO DIVÓRCIO E À DIMINUIÇÃO DO NÚMERO DE FILHOS?

“Boa parte delas têm uma renda fixa pela primeira vez. E várias passaram a ter mais dinheiro do que os maridos”, diz Walquiria. Mais do que escolher entre comprar macarrão ou arroz, o Bolsa-Família permitiu a elas decidir também se querem ou não continuar com o marido. Nessas regiões, ainda é raro que a mulher tome a iniciativa da separação. Mas isso começa a acontecer, como relata Walquiria: “Na primeira entrevista feita, em abril de 2006, com Quitéria Ferreira da Silva, de 34 anos, casada e mãe de três filhos pequenos,em Inhapi, perguntei-lhe sobre as questões dos maus tratos. Ela chorou e me disse que não queria falar sobre isso. No ano seguinte, quando retornei, encontrei-a separada do marido, ostentando uma aparência muito mais tranqüila.”

A despeito do assédio dos maridos, nenhuma das mulheres ouvidas por Walquiria admitiu ceder aos apelos deles e dar na mão dos homens o dinheiro do Bolsa. “Este dinheiro é meu, o Lula deu pra mim (sic) cuidar dos meus filhos e netos. Pra que eu vou dar pra marido agora? Dou não!”, disse Maria das Mercês Pinheiro Dias, de 60 anos, mãe de seis filhos, moradora de São Luís, em entrevista em 2009.

Walquiria relata ainda que aumentou o número de mulheres que procuram por métodos anticoncepcionais. Elas passaram a se sentir mais à vontade para tomar decisões sobre o próprio corpo, sobre a sua vida. É claro que as mudanças ainda são tênues. Ninguém que visite essas áreas vai encontrar mulheres queimando sutiãs e citando Betty Friedan. Mas elas estão começando a romper com uma dinâmica perversa, descrita pela primeira vez em 1911, pelo filósofo inglês John Stuart Mill. De acordo com Mill, as mulheres são treinadas desde crianças não apenas para servir aos homens, maridos e pais, mas para desejar servi-los. Aparentemente, as mulheres mais pobres do Brasil estão descobrindo que podem desejar mais do que isso.

Em http://revistamarieclaire.globo.com/Mulheres-do-Mundo/noticia/2012/11/o-bolsa-familia-e-revolucao-feminista-no-sertao.html

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Médicos alemães pesquisam relação entre discriminação social e inteligência

Posted by iscariotes em 1 de janeiro de 2013

Fonte: Deustche Welle

Filhos de imigrantes costumam ter notas escolares mais baixas que seus colegas. Causa não é genética, como alguns pensam. Estudos indicam que preconceito e exclusão podem causar danos permanentes em capacidade cognitiva.

Cor de pele diferente é igual a origem diferente, que é igual a características humanas diversas: essa equação representa um equívoco muito comum.

“Ela sempre foi simples demais para ser verdade”, diz Andreas Heinz, diretor da clínica de psiquiatria e psicoterapia do Hospital Universitário Charité, em Berlim. Ele balança a cabeça, divertido, ao contar sobre a médica de seus filhos: de pele e olhos escuros, ela tem um filho “selvagem”, considerado criança-problema na escola.

“Para a maioria das pessoas, estava logo claro: o pai devia ser turco ou árabe”, lembra. A suposta origem estrangeira era usada como possível justificação todos os problemas comportamentais do menino. “Só que o pai é médico e alemão”, rebate Heinz.

Livro controverso

Há algum tempo, voltaram à moda as teorias que relacionam o desempenho econômico de determinado país ao rendimento de seus habitantes em testes de QI, o qual, por sua vez, seria determinado pelas características genéticas comuns.

A suposta relação entre inteligência e etnia passou a ser discutida acaloradamente em programas de entrevista, cadernos de cultura e conversas de bar dois anos atrás, depois do lançamento do controverso livro Deutschland schafft sich ab (A Alemanha se extingue a si mesma, em tradução livre).

Em sua obra, o político social-democrata berlinense Thilo Sarrazin prediz para o país um futuro sombrio, devido a seu pouco sucesso na área da educação e à incapacidade de integrar os imigrantes turcos e muçulmanos. Sarrazin atribui o rendimento escolar das crianças com tais origens – de fato, mais fraco – à suposta herança do “equipamento intelectual de seus progenitores”.

Importância do fator social

“De fato, os genes desempenham um papel central no desenvolvimento da inteligência”, concorda o médico Andreas Heinz. No entanto, ele destaca que um grande número de estudos também prova uma influência “bastante dominante” do meio ambiente sobre a capacidade intelectual dos indivíduos.

O desempenho de pessoas de origens e meios sociais distintos em testes de inteligência depende, portanto, do ambiente humano à sua volta. Estudos realizados nos Estados Unidos na década de 70 demonstraram que crianças negras adotadas por famílias brancas registraram uma melhora significativa em seus testes de QI, comparadas a outras crianças brancas e negras.

Segundo o recenseamento Mikrosensus 2011, os descendentes de imigrantes correspondem a 62% dos habitantes da Alemanha sem segundo grau concluído, e apenas cerca de 20% dos que obtêm o Abitur, certificado que dá acesso à universidade.

“Diferentes pesquisadores procuraram muitas vezes as causas para esse fato nas especificidades étnicas ou culturais, sobretudo de turcos e árabes”, critica o especialista em ensino Coskun Canan, da Universidade Humboldt, de Berlim.

Mulheres à frente na ascensão educacional

No entanto, examinando-se de perto os descendentes de turcos, constata-se que a falta de conclusão do segundo grau é mais frequente entre os de mais idade. Embora o rendimento escolar dos mais jovens siga sendo inferior ao daqueles sem histórico de imigração, ele é bem melhor do que o da geração de seus pais.

As jovens nascidas na Alemanha são o principal motor dessa melhoria nas estatísticas educacionais: cerca de um terço delas alcança a universidade ou a habilitação para uma carreira técnica, e a tendência é ascendente. É certo que, entre as mulheres sem origens estrangeiras, quase a metade alcança um grau educacional superior, mas aqui as gerações anteriores também já apresentavam um perfil educacional mais elevado.

“As alemãs descendentes de famílias turcas são o carro-chefe de todo o grupo”, comenta Coskun Canan, “acreditamos que elas vão puxar os homens junto consigo”. Os homens de origem turca, que tendem a estagnar no tocante à ascensão educacional, precisarão correr atrás das mulheres, se quiserem se casar dentro do próprio grupo étnico.

Estereótipos com vida própria

“Contudo, preconceitos também desenvolvem vida própria”, adverte Coskun Canan. Uma vez colocadas no mundo, assertivas como “turcos são refratários à integração” geralmente levam os que são assim descritos a, pouco a pouco, adaptar-se a elas. Os sociólogos denominam esse efeitostereotype threat – ameaça através de estereótipos.

Quando um professor não espera do aluno de origem turca o mesmo rendimento que dos outros, está sabotando as chances de desenvolvimento desse estudante. “Se, por exemplo, a criança se encontrar entre os conceitos escolares ‘satisfatório’ e ‘bom’, o professor possivelmente só lhe dará uma nota satisfatória”, explica Canan.

Ou, se o professor acredita que o aluno não conseguirá mesmo chegar à Realschule, que dá uma qualificação mais alta, então, ao entrar no nível médio, ele só obterá uma recomendação para a menos promissora Hauptschule. Deste modo, estereótipos são perpetuados por todos os envolvidos, e potenciais permanecem sem ser explorados.

Exclusão pode causar alterações cerebrais e genéticas

“Tais vivências de discriminação possivelmente se refletem diretamente no nível neurológico, e podem prejudicar as capacidades cognitivas de forma permanente”, afirma Andreas Heinz. Experimentos com animais mostraram que a exclusão causa estresse e deixa marcas no cérebro.

“Pode-se medir isso perfeitamente, no modelo animal”, aponta Heinz. Quando um espécime agressivo assedia a cobaia, o sistema hormonal libera substâncias relacionadas ao estresse, como a serotonina, responsável pela comunicação entre os hormônios, mas também associada à depressão.

Os níveis do hormônio dopamina, ligado ao aprendizado, são também fortemente alterados. Isso pode resultar em modificações cerebrais, possivelmente até mesmo herdáveis pelas gerações seguintes.

Heinz e sua equipe pesquisam atualmente no Hospital Charité se mecanismos semelhantes ocorrem da mesma forma no cérebro humano. Ele pretende determinar se o estresse social também desencadeia certas reações bioquímicas nos seres humanos.

Será que, deste modo, genes responsáveis pelo grau de inteligência são ativados ou bloqueados? Será que a exclusão acaba por manter o rendimento intelectual dos atingidos abaixo de seu potencial genético? Seria essa reação ao estresse até mesmo hereditária? O psiquiatra Heinz acredita isso seja possível.

Uma coisa é certa, desde já: a exclusão social através de expectativas negativas é danosa. Por isso, deve-se incentivar tudo o que favoreça o desenvolvimento da inteligência, desde a competência linguística até a alimentação saudável. “A pior coisa que pode acontecer, é ser classificado na gaveta dos incapazes”, alerta Andreas Heinz.

Autoria: Lydia Heller (av)
Revisão: Marcio Damasceno

Em http://www.dw.de/m%C3%A9dicos-alem%C3%A3es-pesquisam-rela%C3%A7%C3%A3o-entre-discrimina%C3%A7%C3%A3o-social-e-intelig%C3%AAncia/a-16486515

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